O que é
O EV/EBIT divide o valor da firma pelo EBIT dos últimos 12 meses e mostra quantas vezes o resultado operacional cabe no valor do negócio inteiro.
O EBIT é o resultado antes do resultado financeiro e dos tributos: o que a operação gera depois de pagar custos, despesas e a depreciação dos ativos, mas antes de juros e impostos sobre o lucro. Usá-lo no denominador, junto com o EV no numerador, coloca empresas com mais ou menos dívida em uma base parecida.
Em relação ao EV/EBITDA, o EV/EBIT é mais exigente: ele trata a depreciação como custo, o que faz sentido quando os equipamentos, as redes ou as frotas precisam ser repostos para que a empresa continue funcionando.
De onde vêm os números
- EV: valor de mercado (preço de fechamento do pregão anterior na B3 de cada classe × ações da classe, sem tesouraria) mais dívida bruta, menos caixa e aplicações financeiras de curto prazo, mais participação de minoritários. Os saldos são do último balanço na CVM (DFP ou ITR, dados abertos). Arrendamentos do IFRS 16 ficam fora da dívida.
- EBIT: soma dos últimos 4 trimestres da linha "resultado antes do resultado financeiro e dos tributos" da DRE padronizada da CVM. Essa linha inclui a equivalência patrimonial, isto é, o resultado de empresas coligadas.
Com EBIT de 12 meses zero ou negativo, o indicador aparece como "—" com o motivo. Para bancos e seguradoras, aparece "não se aplica".
Exemplo
A Empresa Zeta apresenta:
- Valor de mercado: R$ 8,0 bilhões.
- Dívida bruta: R$ 4,0 bilhões.
- Caixa e aplicações de curto prazo: R$ 2,0 bilhões.
- Minoritários: zero.
- EV: 8,0 + 4,0 − 2,0 + 0 = R$ 10,0 bilhões.
O EBIT somado dos últimos quatro trimestres foi de R$ 1,25 bilhão.
- EV/EBIT: R$ 10,0 bilhões ÷ R$ 1,25 bilhão = 8,0.
Se a depreciação do período fosse de R$ 0,75 bilhão, o EBITDA seria R$ 2,0 bilhões e o EV/EBITDA, 5,0. A distância entre 5,0 e 8,0 mostra o peso da depreciação nesse negócio.
Como interpretar
Um EV/EBIT mais alto sugere que o mercado projeta crescimento ou estabilidade do resultado operacional, ou que o EBIT atual está temporariamente baixo. Um valor mais baixo costuma aparecer em negócios maduros, cíclicos ou com riscos específicos percebidos pelo mercado.
O inverso do múltiplo, EBIT ÷ EV, é às vezes chamado de earnings yield operacional: no exemplo, 1,25 ÷ 10,0 = 12,5 %. Ele facilita comparar o rendimento operacional implícito com taxas de juros, sempre lembrando que EBIT não é caixa livre.
Para ter contexto, compare com a mediana do segmento (o indicex exige ao menos 3 empresas) e com o histórico da empresa. Ver EV/EBIT e EV/EBITDA lado a lado ajuda a entender quão intensivo em capital é o negócio.
Limitações e onde não se aplica
- Bancos e seguradoras: "não se aplica", porque a dívida faz parte da atividade e o EV não tem o mesmo sentido.
- Equivalência patrimonial: holdings e empresas com grandes participações em coligadas podem ter EBIT inflado por resultado que não vem da operação própria.
- Itens não recorrentes: impairments, ganhos com alienação de ativos e reversões de provisões passam pelo EBIT e distorcem o múltiplo de 12 meses.
- Arrendamentos: como ficam fora da dívida no indicex, empresas com muitos contratos de aluguel podem parecer menos alavancadas.
- EBIT pequeno: um denominador próximo de zero gera múltiplos muito altos e instáveis.
Erros comuns
- Confundir EBIT com lucro líquido, que já desconta juros e impostos.
- Esquecer que o EBIT da DRE da CVM inclui a equivalência patrimonial.
- Comparar EV/EBIT de setores com depreciações muito diferentes como se fossem equivalentes.
- Usar o valor de mercado no lugar do EV, o que ignora a dívida e o caixa.
- Ler o múltiplo sem checar se o EBIT do período foi afetado por um evento isolado.
Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026