O que é
O número de Graham é um valor teórico por ação obtido a partir do lucro por ação e do valor patrimonial por ação, com base em limites de múltiplos propostos pelo investidor e professor Benjamin Graham.
Em seus livros, Graham sugeria que um investidor defensivo evitasse pagar mais de 15 vezes o lucro e mais de 1,5 vez o patrimônio de uma empresa. Multiplicando os dois limites, chega-se a 22,5. A fórmula usa esse número para calcular o preço em que a ação estaria exatamente na combinação máxima desses dois múltiplos.
O resultado é um exercício: ele mostra o que a fórmula produz com os números atuais da empresa, sob premissas antigas e simplificadas, e serve para entender como lucro e patrimônio se relacionam com a cotação.
De onde vêm os números
O lucro por ação (LPA) é o lucro líquido dos controladores dos últimos 12 meses, somando os quatro trimestres mais recentes, dividido pela quantidade de ações em circulação, sem as mantidas em tesouraria.
O valor patrimonial por ação (VPA) é o patrimônio líquido dos controladores do último balanço trimestral dividido pela mesma quantidade de ações.
Os dois valores vêm das demonstrações financeiras (DFP e ITR) entregues à CVM. A página mostra, junto ao resultado, as premissas usadas: o multiplicador 22,5, o LPA, o VPA e a data de cada balanço.
Se o LPA ou o VPA for zero ou negativo, o resultado é "—". A raiz quadrada de um número negativo não existe, e multiplicar dois valores negativos produziria um resultado positivo sem nenhum significado.
Exemplo
A Empresa Rho tem LPA de R$ 4,00 nos últimos 12 meses e VPA de R$ 25,00 no último balanço.
Multiplicação: 22,5 × R$ 4,00 × R$ 25,00 = 2.250.
Raiz quadrada: √2.250 ≈ R$ 47,43.
Conferência dos múltiplos: R$ 47,43 ÷ R$ 4,00 ≈ 11,9 vezes o lucro e R$ 47,43 ÷ R$ 25,00 ≈ 1,9 vez o patrimônio. O produto dos dois, 11,9 × 1,9, fica próximo de 22,5: a fórmula aceita compensar um múltiplo maior com um menor.
Se a Empresa Rho tivesse prejuízo nos últimos 12 meses, o número de Graham apareceria como "—", com o motivo "LPA não positivo".
Como interpretar
A comparação do número de Graham com a cotação mostra se a ação está acima ou abaixo da combinação de múltiplos que Graham usava como limite. Isso diz como o mercado precifica lucro e patrimônio da empresa hoje, e não o que vai acontecer com a cotação.
Empresas com crescimento esperado, marcas fortes ou muitos ativos intangíveis costumam ser negociadas bem acima do número de Graham, porque o mercado atribui valor a coisas que a fórmula não vê. Empresas de setores maduros e com muito ativo físico tendem a ficar mais próximas dele. Por isso, compare o resultado com o histórico da própria empresa e com o de outras do mesmo segmento, e não com empresas de setores diferentes.
Limitações e onde não se aplica
Valor teórico obtido pela fórmula de Graham, com as premissas descritas acima. É um exercício de cálculo, não um preço-alvo nem uma recomendação. Cálculo educativo.
- A fórmula não considera crescimento, endividamento, qualidade do lucro, taxa de juros nem perspectivas do setor.
- É pouco representativa para empresas intensivas em intangíveis, como tecnologia e serviços, cujo patrimônio contábil subestima os ativos que geram resultado.
- O LPA de 12 meses é sensível a itens não recorrentes; um ganho pontual eleva o resultado sem mudar a empresa.
- Em empresas cíclicas, um ano de pico ou de vale de lucro distorce o número.
- Os limites de 15 e 1,5 foram propostos em outro país, em outra época e com outro nível de juros.
Erros comuns
- Tratar o número de Graham como uma estimativa de para onde a cotação deve ir.
- Aplicar a fórmula a empresas com prejuízo ou patrimônio negativo.
- Comparar o resultado entre setores com estruturas de ativos muito diferentes.
- Esquecer que o resultado muda a cada novo balanço trimestral.
- Usar um LPA inflado por um ganho não recorrente sem perceber.
Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026