O que é
O preço-teto pelo método de Bazin é o preço por ação em que a média anual dos proventos dos últimos cinco anos corresponderia exatamente a um dividend yield de referência, que no indicex é de 6 %.
O método foi descrito pelo investidor brasileiro Décio Bazin, que dava ênfase a empresas pagadoras de proventos regulares. A ideia central é inverter o dividend yield: em vez de perguntar qual é o rendimento dado o preço, a fórmula pergunta qual preço produziria um rendimento escolhido de antemão, dado o histórico de proventos.
É um exercício de cálculo com premissas simples e visíveis. Ele ajuda a entender a relação entre proventos e cotação, e não diz nada sobre o comportamento futuro da ação.
De onde vêm os números
O indicex soma os proventos brutos por ação com data-com nos últimos 60 meses: dividendos e JCP pelo valor bruto, conforme os avisos entregues à CVM. Amortizações e bonificações em ações ficam de fora. Os valores por ação são ajustados por desdobramentos e grupamentos, para que proventos antigos e recentes fiquem na mesma base.
A soma é dividida por 5, o que dá a média anual de proventos. Se a empresa está listada há menos de cinco anos, a divisão é feita pelo número de anos efetivos, informado na página.
A média anual é então dividida pelo DY-alvo de 6 %. Esse percentual é uma premissa do método, e não uma taxa de mercado; a página exibe o valor usado junto ao resultado, ao lado da cotação de fechamento do pregão anterior na B3, para comparação.
Exemplo
A Empresa Sigma Norte distribuiu, nos últimos 60 meses, um total de R$ 15,00 por ação em proventos brutos, já ajustados por eventos.
Média anual: R$ 15,00 ÷ 5 = R$ 3,00 por ano.
Preço-teto: R$ 3,00 ÷ 0,06 = R$ 50,00.
Conferência: a R$ 50,00, proventos de R$ 3,00 por ano equivalem a R$ 3,00 ÷ R$ 50,00 = 6 %.
Agora a Empresa Pi, listada há três anos, distribuiu R$ 7,50 por ação nesse período. Média anual: R$ 7,50 ÷ 3 = R$ 2,50. Preço-teto: R$ 2,50 ÷ 0,06 ≈ R$ 41,67, com a indicação de que o cálculo usou três anos efetivos.
Como interpretar
Se a cotação está abaixo do resultado, a média histórica de proventos representa mais de 6 % do preço atual; se está acima, representa menos. É apenas outra forma de ler o dividend yield da média de cinco anos sobre a cotação de hoje.
O número só faz sentido para empresas com histórico regular de distribuição. Compare o resultado com o histórico da própria empresa e com o payout: proventos médios sustentados por payouts muito acima do lucro dificilmente se repetem. Compare também com a mediana do segmento, já que setores têm políticas de distribuição muito diferentes.
Limitações e onde não se aplica
Valor teórico obtido pelo método de Bazin, com as premissas descritas acima. É um exercício de cálculo, não um preço-alvo nem uma recomendação. Cálculo educativo.
- O método olha apenas para proventos passados e ignora crescimento, endividamento e perspectivas do negócio.
- Proventos extraordinários dentro dos 60 meses elevam a média e o resultado.
- O DY-alvo de 6 % é arbitrário; com 5 %, o mesmo histórico daria um resultado 20 % maior, e com 8 %, um resultado 25 % menor.
- Não se aplica bem a empresas que reinvestem quase todo o lucro ou que retomaram pagamentos há pouco tempo.
- Empresas sem proventos no período aparecem com "—" e o motivo.
Erros comuns
- Tratar o preço-teto como estimativa de para onde a cotação deve ir.
- Esquecer que o resultado depende inteiramente da premissa de 6 %.
- Usar proventos não ajustados por desdobramentos, misturando valores por ação de bases diferentes.
- Ignorar um provento extraordinário que pesa na média dos cinco anos.
Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026