O que é
A Selic meta é a taxa de juros, em % ao ano, que o Comitê de Política Monetária do Banco Central fixa como alvo para as operações de um dia entre instituições financeiras lastreadas em títulos públicos.
Ela é o principal instrumento da política monetária brasileira. O Banco Central atua no mercado para que a taxa efetivamente praticada nessas operações, chamada Selic over, fique muito próxima da meta. A partir daí, a decisão se espalha pela economia: influencia o custo do crédito, o rendimento de aplicações pós-fixadas, o preço de títulos prefixados e as expectativas de inflação.
O Copom se reúne oito vezes por ano. Em cada reunião, mantém, eleva ou reduz a meta, e a nova taxa passa a valer a partir do dia seguinte à decisão.
De onde vêm os números
O indicex usa a série 432 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central, que registra a meta vigente em cada data. O valor exibido é o que estava em vigor na data de referência mostrada na página, junto com a data da última decisão.
A mesma Selic meta é a premissa usada em todo o site para estimar a rentabilidade bruta do Tesouro Selic, a partir de uma tabela única de parâmetros macro. Assim, a página de um título e a página deste indicador mostram o mesmo número. A série do Banco Central é publicada sob licença aberta, com atribuição na página de fontes de dados.
Exemplo
Suponha, de forma fictícia, que a Selic meta esteja em 15,00 % ao ano e que o IPCA acumulado em 12 meses seja de 5,00 %.
O juro real implícito, descontada a inflação passada, é obtido pela divisão dos fatores: 1,15 ÷ 1,05 = 1,0952. Subtraindo 1, chega-se a cerca de 9,52 % ao ano. A subtração simples, 15,00 − 5,00 = 10,00 pontos, exagera o ganho real em quase meio ponto.
Agora suponha que o Copom eleve a meta para 15,50 %. Uma aplicação fictícia que rende 100 % da Selic passa de algo perto de 15,00 % para perto de 15,50 % ao ano, a partir do dia em que a nova taxa entra em vigor. Num prefixado já comprado, a taxa contratada não muda, mas o preço de mercado do título tende a recuar, porque novos títulos passam a pagar mais.
Como interpretar
Uma Selic alta indica política monetária restritiva: o Banco Central busca conter a demanda para trazer a inflação para a meta. Isso encarece o crédito e torna as aplicações pós-fixadas mais rentáveis em termos nominais. Uma Selic baixa indica política mais estimulativa, com crédito mais acessível e menor rendimento na renda fixa pós-fixada.
O nível isolado diz menos que a comparação com a inflação. Uma Selic de 10 % com inflação de 3 % é muito mais restritiva do que a mesma taxa com inflação de 8 %. Por isso convém lê-la ao lado do IPCA de 12 meses e das expectativas de mercado.
A trajetória também importa: uma sequência de cortes ou de altas costuma afetar os preços de títulos e ações antes mesmo de se completar, porque o mercado antecipa decisões.
Limitações e onde não se aplica
A meta não é exatamente a taxa praticada: a Selic over costuma ficar um pouco abaixo dela. Aplicações atreladas ao CDI também seguem uma taxa ligeiramente diferente da meta.
O número é uma taxa anual vigente, não um rendimento acumulado: se a Selic mudou durante o ano, o que uma aplicação pós-fixada rendeu nos últimos 12 meses é outro dado, como o CDI acumulado. A meta também não diz o que o Copom fará adiante.
Erros comuns
- Confundir a Selic meta com o rendimento acumulado de uma aplicação nos últimos 12 meses.
- Subtrair a inflação da Selic em vez de dividir os fatores para obter o juro real.
- Supor que a meta atual valerá por todo o prazo de um investimento.
- Achar que a meta é igual à Selic over ou ao CDI do dia.
- Ignorar que a nova meta só vale a partir do dia seguinte à decisão do Copom.
Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026