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Dívida líquida sobre EBITDA (DL/EBITDA)

Quantos anos de geração operacional seriam necessários para quitar a dívida financeira líquida da empresa.

Fórmula usada no indicex

Unidade
múltiplo (vezes)
Grupo
Endividamento e liquidez
Não se aplica
bancos e seguradoras (exibido como "não se aplica", nunca como zero)
Observação
Não se aplica a bancos e seguradoras, cujo balanço não separa dívida operacional nem circulante.

Em geral, valores menores são lidos como mais favoráveis, mas sempre em comparação com empresas parecidas. Veja todas as fórmulas na metodologia.

O que é

A relação dívida líquida sobre EBITDA indica quantas vezes a dívida financeira, descontado o caixa, cabe na geração operacional de 12 meses da empresa.

Uma leitura intuitiva é em anos: se o indicador é 2,5, a empresa precisaria de cerca de dois anos e meio de EBITDA, sem gastar nada com investimentos, juros ou impostos, para zerar a dívida líquida. É uma simplificação, mas ajuda a dimensionar o peso do endividamento em relação ao tamanho da operação. Por isso o indicador aparece com frequência em contratos de empréstimos e debêntures, como limite que a empresa se compromete a respeitar.

De onde vêm os números

  • Dívida bruta: empréstimos, financiamentos e debêntures de curto e longo prazo, conforme o último balanço publicado na CVM (DFP ou ITR). Os passivos de arrendamento criados pelo IFRS 16 ficam fora.
  • Caixa e aplicações financeiras: caixa, equivalentes de caixa e aplicações de curto prazo do mesmo balanço.
  • EBITDA dos últimos 12 meses: soma dos quatro trimestres mais recentes de EBIT da DRE mais depreciação e amortização da DFC.

A dívida líquida é a dívida bruta menos o caixa. Quando o caixa supera a dívida, o indicador fica negativo, o que significa que a empresa tem mais recursos líquidos do que deve a credores financeiros. Quando o EBITDA dos 12 meses é zero ou negativo, o indicador aparece como "—" com o motivo, porque a divisão perderia sentido.

Bancos e seguradoras aparecem como "não se aplica": nesses negócios, captar recursos é a própria operação.

Exemplo

A Empresa Iota, uma rede fictícia de hospitais, apresentou no último balanço:

  • Empréstimos e financiamentos de curto prazo: R$ 300 milhões
  • Empréstimos, financiamentos e debêntures de longo prazo: R$ 1.200 milhões
  • Passivo de arrendamento (IFRS 16): R$ 200 milhões, que não entra no cálculo
  • Caixa e aplicações de curto prazo: R$ 500 milhões
  • EBITDA dos últimos 12 meses: R$ 400 milhões

Dívida bruta: R$ 300 milhões + R$ 1.200 milhões = R$ 1.500 milhões

Dívida líquida: R$ 1.500 milhões − R$ 500 milhões = R$ 1.000 milhões

DL/EBITDA: R$ 1.000 milhões ÷ R$ 400 milhões = 2,5 vezes

Como interpretar

Quanto menor o indicador, menor o peso da dívida em relação à geração operacional. Valores negativos indicam caixa líquido. Valores elevados sugerem que uma parte grande da geração futura estará comprometida com o serviço da dívida, o que reduz a margem de manobra em períodos de queda de receita ou de juros altos.

Não existe um limite universal. Concessionárias de energia, rodovias e saneamento, com receitas previsíveis e contratos longos, costumam conviver com alavancagem maior. Empresas cíclicas, como mineração, siderurgia e construção, tendem a ser avaliadas com mais cautela, porque o EBITDA pode cair rapidamente. A comparação deve ser feita com a mediana do segmento e com a trajetória da própria empresa, observando se a alavancagem sobe ou desce trimestre a trimestre.

Também importa o perfil da dívida, que o indicador não mostra: prazos de vencimento, custo, indexadores e moeda estão nas notas explicativas.

Limitações e onde não se aplica

O EBITDA não é caixa disponível para pagar dívida: investimentos, impostos e juros consomem parte dele. Uma empresa com DL/EBITDA moderado pode ter dificuldades se precisar investir muito.

O indicador mistura um saldo de uma data (dívida) com um fluxo de 12 meses (EBITDA). Aquisições recentes podem elevar a dívida antes que o EBITDA da empresa adquirida apareça por inteiro.

A exclusão dos arrendamentos torna empresas com muitas lojas ou imóveis alugados menos alavancadas no indicador do que seriam pelo critério de alguns contratos de dívida. E dívidas em moeda estrangeira oscilam com o câmbio sem mudança na operação.

Erros comuns

  • Ler um valor negativo como erro, quando ele significa caixa maior que a dívida.
  • Comparar empresas de setores regulados com empresas cíclicas usando a mesma régua.
  • Confundir o número calculado aqui com o "covenant" do contrato da empresa, que pode usar definições próprias de dívida e EBITDA.
  • Ignorar o cronograma de vencimentos e o custo da dívida.
  • Desconsiderar que um EBITDA inflado por eventos pontuais reduz artificialmente o indicador.

Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026

O indicador no mercado hoje

Ações com DL/EBITDA calculado: 197. Mediana 1,46; metade dos valores fica entre 0,34 (1º quartil) e 2,97 (3º quartil).

Mediana e quartis de DL/EBITDA por segmento
Segmento Empresas/fundos 1º quartil Mediana 3º quartil
Máquinas e equipamentos 8 -0,68 -0,28 0,77
Seguros e previdência 3 -2,16 -0,27 -0,15
Telefonia e internet 6 -2,52 0,20 1,48
Lojas de vestuário e calçados 16 -0,24 0,39 1,14
Viagens e lazer 3 -0,14 0,44 0,80
Software e serviços digitais 5 0,34 0,54 1,62
Lojas de eletro e casa 6 -0,23 0,54 1,57
Farmácias 5 0,56 0,61 0,98
Alimentos industrializados 3 0,16 0,92 2,82
Aço e metais 8 -2,04 0,93 1,51
Shoppings e imóveis de renda 7 0,60 1,24 1,81
Escolas e ensino 7 0,80 1,30 1,80
Hospitais e planos de saúde 5 0,59 1,43 1,44
Medicamentos e indústria farmacêutica 5 0,47 1,46 2,07
Holdings diversificadas 4 0,06 1,65 4,16
Veículos e autopeças 8 1,16 1,68 2,82
Exploração de petróleo e gás 5 1,14 1,69 1,87
Materiais de construção 4 1,18 1,78 2,52
Supermercados e atacarejos 3 1,04 1,90 4,21
Incorporação residencial 18 0,36 1,91 4,05
Química e petroquímica 4 1,28 1,93 3,47
Beleza e cuidados pessoais 4 1,71 2,10 2,32
Portos, ferrovias e cargas 5 1,54 2,41 2,51
Água e esgoto 5 2,21 2,67 3,00
Transmissão de energia 4 1,80 2,83 3,16
Aluguel de carros e frotas 6 2,42 2,88 3,10
Papel, celulose e embalagens 3 2,49 3,02 3,06
Distribuição de energia 13 2,81 3,10 3,72
Geração de energia 6 3,07 3,85 5,41
Lavouras e terras agrícolas 5 2,97 4,57 7,30

Maiores valores entre ações

  1. TUPY3 103,15
  2. TOKY3 40,98
  3. AGRO3 31,54
  4. PDTC3 20,32
  5. HBOR3 11,88

Menores valores entre ações

  1. SAUD3 -11,03
  2. TIMS3 -4,85
  3. PSSA3 -4,05
  4. MTSA4 -3,68
  5. USIM5 -3,63

Fonte: CVM, B3 e FNET, cálculo indicex (ativos indexáveis; ações pelo papel principal) · referência 20/10/2026

A ordem das listas resulta apenas do valor de DL/EBITDA calculado na data indicada, entre ativos com dados suficientes. Não há seleção nem opinião de analista. Um valor alto ou baixo de um indicador isolado não indica qualidade do investimento.

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