O que é
O PSR (do inglês price to sales ratio) relaciona o valor das ações de uma empresa na bolsa com a receita líquida que ela obteve nos últimos 12 meses.
Enquanto o P/L depende do lucro, que pode ser negativo ou oscilar muito, a receita é quase sempre positiva e bem mais estável. Por isso o PSR é útil para observar empresas que ainda não dão lucro, que atravessam um ano ruim ou que estão em fase de expansão, quando o lucro não representa bem o tamanho do negócio.
A contrapartida é que receita não é dinheiro que sobra para o acionista. Uma empresa pode faturar muito com margem mínima, e o PSR sozinho não revela isso.
De onde vêm os números
- Preço: fechamento do pregão anterior na B3, do ticker exibido.
- Quantidade de ações: total de ações de todas as classes, sem as ações em tesouraria. O numerador é o preço do ticker multiplicado por esse total; por isso, em empresas com ON e PN a preços diferentes, o PSR da ON e o da PN diferem um pouco entre si e do valor de mercado consolidado.
- Receita líquida: soma dos últimos 4 trimestres, a partir das demonstrações financeiras da CVM (DFP anual e ITR trimestral, dados abertos). É a receita depois de impostos sobre o faturamento, devoluções e abatimentos.
Bancos e seguradoras não têm receita líquida comparável à de uma empresa comercial ou industrial; para eles, o indicex mostra "não se aplica", nunca zero. Sem dado de receita, o campo mostra "—" com o motivo.
Exemplo
A Empresa Delta tem 200 milhões de ações fora da tesouraria, e o ticker fechou a R$ 15,00. A receita líquida dos últimos 4 trimestres somou R$ 6 bilhões.
- Numerador: R$ 15,00 × 200 milhões = R$ 3 bilhões.
- PSR: R$ 3 bilhões ÷ R$ 6 bilhões = 0,5.
O mercado paga R$ 0,50 em ações por real de receita anual da Delta. Se a margem líquida dela for de 5 %, o lucro anual seria R$ 300 milhões, e o P/L correspondente seria R$ 3 bilhões ÷ R$ 300 milhões = 10,0. Essa conta mostra a ligação entre os dois múltiplos: PSR = P/L × margem líquida.
Como interpretar
O nível típico do PSR depende muito da margem do setor. Supermercados e distribuidoras, que trabalham com margens estreitas, costumam ter PSR bem abaixo de 1,0. Empresas de software, com margens altas e receita recorrente, podem ser negociadas a várias vezes a receita.
Por isso a comparação mais informativa é com a mediana do segmento (o indicex exige pelo menos 3 empresas) e com o histórico da própria empresa. Uma alta do PSR sem melhora de margem indica que o preço subiu mais que o faturamento; uma queda pode vir de receita crescendo mais rápido que o preço, ou de um recuo da cotação.
Também ajuda olhar o PSR ao lado da margem líquida e da margem EBIT: duas empresas com o mesmo PSR e margens muito diferentes estão em situações bem distintas.
Limitações e onde não se aplica
- Bancos e seguradoras: "não se aplica", por falta de uma receita líquida comparável.
- Endividamento: o PSR usa só o valor das ações e ignora a dívida; duas empresas com mesma receita e mesmo preço podem ter estruturas de capital muito diferentes. O EV/receita resolveria isso, mas não faz parte do catálogo.
- Holdings: a receita consolidada pode refletir só parte das investidas, e o resto entra por equivalência patrimonial, fora da receita.
- Receitas de repasse: empresas que registram receita bruta de intermediação ou de construção de infraestrutura (concessões) podem ter receitas infladas em relação ao negócio econômico.
Erros comuns
- Ler PSR baixo como sinal de preço deprimido sem olhar a margem, que pode ser baixíssima.
- Comparar PSR entre setores com margens muito diferentes.
- Ignorar que o PSR não enxerga a dívida da empresa.
- Usar receita bruta em vez de receita líquida.
- Somar o PSR da ON e da PN ou tratá-los como o múltiplo da empresa inteira.
Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026