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Retorno sobre o patrimônio (ROE)

Quanto lucro a empresa gerou em 12 meses para cada real de patrimônio pertencente aos seus controladores.

Fórmula usada no indicex

Unidade
percentual
Grupo
Rentabilidade e margens

Em geral, valores maiores são lidos como mais favoráveis, mas sempre em comparação com empresas parecidas. Veja todas as fórmulas na metodologia.

O que é

O retorno sobre o patrimônio (ROE) mede quanto lucro a empresa produziu nos últimos 12 meses em relação ao capital próprio dos seus acionistas controladores.

O patrimônio líquido representa o dinheiro que os sócios colocaram na empresa somado aos lucros que ficaram retidos ao longo dos anos. O ROE responde a uma pergunta direta: com esse capital, quanto a companhia conseguiu gerar de resultado? Um ROE de 15 % indica que, para cada R$ 100,00 de patrimônio, a empresa registrou R$ 15,00 de lucro no período.

É um dos indicadores de rentabilidade mais citados porque se aplica a quase todos os setores, inclusive bancos e seguradoras.

De onde vêm os números

  • Lucro líquido dos controladores: soma dos últimos quatro trimestres da demonstração do resultado, a partir da DFP anual e dos ITRs publicados na CVM.
  • Patrimônio líquido dos controladores: saldo do último balanço disponível, sem a participação dos não controladores.

O indicex usa o lucro e o patrimônio do mesmo grupo de acionistas, os controladores, para que numerador e denominador sejam coerentes. Quando o patrimônio é zero ou negativo, o ROE não é calculado e aparece como "—", com o motivo: dividir lucro por um patrimônio negativo produz um número sem significado econômico.

Exemplo

A Empresa Zeta, uma fabricante fictícia de autopeças, apresentou:

  • Lucro líquido dos controladores nos últimos 12 meses: R$ 70 milhões, R$ 75 milhões, R$ 80 milhões e R$ 75 milhões nos quatro trimestres, total de R$ 300 milhões.
  • Patrimônio líquido dos controladores no último balanço: R$ 2.000 milhões.

ROE:

R$ 300 milhões ÷ R$ 2.000 milhões = 0,15, ou seja, 15,0 %

Como interpretar

Um ROE mais alto indica que a empresa gera mais resultado com o capital dos sócios. Para saber se o número é alto ou baixo, compare-o com a mediana do segmento e com o histórico da própria empresa ao longo de vários anos. Também ajuda colocar o ROE ao lado do custo do dinheiro na economia, como a taxa Selic: um retorno persistentemente abaixo dela sugere que o capital rende menos do que renderia em alternativas de baixo risco.

O ROE pode subir por motivos bem diferentes. Uma forma útil de decompor o indicador é pensar em três fatores: margem líquida (quanto da receita vira lucro), giro do ativo (quanta receita os ativos geram) e alavancagem (quanto do ativo é financiado por terceiros). Duas empresas com o mesmo ROE podem chegar lá por caminhos opostos: uma com margens altas e pouca dívida, outra com margens estreitas e muito endividamento. A segunda carrega mais risco.

Em bancos, o ROE é a principal medida de rentabilidade, já que a alavancagem faz parte do modelo de negócio e é regulada.

Limitações e onde não se aplica

Empresas que recompram muitas ações ou distribuem proventos acima do lucro reduzem o patrimônio e, com isso, elevam o ROE sem que a operação tenha melhorado. Em casos extremos, o patrimônio fica muito pequeno e o ROE atinge valores enormes e pouco informativos.

Lucros não recorrentes, como ganhos com alienação de ativos ou créditos tributários, inflam o ROE de um período específico. Prejuízos geram ROE negativo, exibido com sinal.

Como o patrimônio é contábil, empresas com ativos registrados a custo muito antigo ou com intangíveis relevantes que não aparecem no balanço podem exibir ROE alto por causa de um denominador subestimado.

Erros comuns

  • Comparar o ROE de um banco com o de uma indústria sem considerar a diferença de alavancagem.
  • Ler um ROE alto como sinal de qualidade sem verificar se ele vem de dívida elevada ou de patrimônio encolhido.
  • Usar o lucro consolidado com o patrimônio dos controladores, misturando grupos de acionistas diferentes.
  • Ignorar eventos extraordinários que inflaram ou reduziram o lucro dos 12 meses.
  • Analisar um único período em vez da média de vários anos.

Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026

O indicador no mercado hoje

Ações com ROE calculado: 225. Mediana 9,86 %; metade dos valores fica entre 0,44 % (1º quartil) e 16,97 % (3º quartil).

Mediana e quartis de ROE por segmento
Segmento Empresas/fundos 1º quartil Mediana 3º quartil
Compras online 3 -18,88 % -6,79 % -3,40 %
Beleza e cuidados pessoais 3 -8,86 % 0,00 % 0,45 %
Lojas de eletro e casa 6 -50,71 % 0,00 % 0,59 %
Portos, ferrovias e cargas 5 0,00 % 1,11 % 8,48 %
Alimentos industrializados 4 0,00 % 1,19 % 3,70 %
Materiais de construção 4 -2,11 % 1,55 % 6,19 %
Lavouras e terras agrícolas 5 0,50 % 1,73 % 7,16 %
Aluguel de carros e frotas 6 -0,41 % 2,25 % 10,60 %
Geração de energia 8 -3,79 % 2,36 % 11,60 %
Água e esgoto 5 1,04 % 3,20 % 3,76 %
Hospitais e planos de saúde 6 0,22 % 3,79 % 8,53 %
Escolas e ensino 8 -10,21 % 3,82 % 5,42 %
Viagens e lazer 3 -42,61 % 4,01 % 7,65 %
Aço e metais 8 3,14 % 4,33 % 8,42 %
Holdings diversificadas 4 -47,07 % 5,13 % 14,86 %
Veículos e autopeças 8 -3,28 % 5,93 % 15,80 %
Telefonia e internet 6 0,98 % 6,02 % 9,58 %
Software e serviços digitais 8 -5,26 % 7,12 % 19,26 %
Química e petroquímica 4 -2,21 % 7,93 % 11,66 %
Papel, celulose e embalagens 3 -3,41 % 9,03 % 12,73 %
Medicamentos e indústria farmacêutica 5 2,74 % 10,02 % 12,10 %
Farmácias 5 9,61 % 10,45 % 10,71 %
Shoppings e imóveis de renda 7 7,54 % 10,63 % 16,73 %
Incorporação residencial 20 -2,32 % 10,83 % 24,51 %
Outros negócios 4 3,41 % 12,46 % 22,48 %
Rodovias e concessões 3 -31,95 % 13,28 % 17,56 %
Lojas de vestuário e calçados 16 1,38 % 13,74 % 18,64 %
Bancos 12 12,39 % 13,96 % 20,28 %
Exploração de petróleo e gás 6 3,76 % 14,06 % 15,76 %
Máquinas e equipamentos 8 12,25 % 14,18 % 16,62 %
Distribuição de energia 13 7,54 % 14,47 % 17,94 %
Transmissão de energia 4 13,97 % 14,51 % 16,01 %
Supermercados e atacarejos 3 -252,88 % 14,52 % 14,87 %
Seguros e previdência 5 22,84 % 26,78 % 31,83 %

Maiores valores entre ações

  1. CGAS5 95,90 %
  2. ECOM3 85,28 %
  3. BBSE3 84,38 %
  4. LEVE3 72,29 %
  5. CURY3 66,38 %

Menores valores entre ações

  1. ONCO3 -25.704,17 %
  2. BIED3 -3.393,42 %
  3. PCAR3 -520,29 %
  4. CSAN3 -178,97 %
  5. TOKY3 -142,15 %

Fonte: CVM, B3 e FNET, cálculo indicex (ativos indexáveis; ações pelo papel principal) · referência 20/10/2026

A ordem das listas resulta apenas do valor de ROE calculado na data indicada, entre ativos com dados suficientes. Não há seleção nem opinião de analista. Um valor alto ou baixo de um indicador isolado não indica qualidade do investimento.

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