O que é
O P/VP é a razão entre o preço de uma ação (ou cota de FII) e o valor patrimonial contábil que corresponde a ela.
O valor patrimonial é o que sobra no balanço quando se tiram todas as obrigações dos ativos: é o patrimônio líquido. Dividido pela quantidade de ações, vira o valor patrimonial por ação (VPA). O P/VP diz quanto o mercado paga por cada real desse patrimônio contábil.
Um P/VP de 1,0 indica preço igual ao patrimônio registrado. Acima de 1,0, o mercado atribui à empresa um valor maior que o contábil, normalmente pela capacidade de gerar lucro com aquele patrimônio, por marcas, contratos ou conhecimento que o balanço não registra. Abaixo de 1,0, o preço fica aquém do patrimônio, o que pode refletir desconfiança sobre a qualidade dos ativos ou sobre a rentabilidade futura.
De onde vêm os números
Para ações:
- Preço: fechamento do pregão anterior na B3, por ticker.
- VPA: patrimônio líquido atribuído aos controladores no último balanço publicado na CVM (DFP ou ITR, dados abertos), dividido pelo total de ações de todas as classes, sem as ações em tesouraria. Descontar a tesouraria evita inflar o VPA com ações que a própria empresa recomprou.
Para FIIs:
- Preço: fechamento da cota no pregão anterior.
- Valor patrimonial por cota: informado pelo próprio fundo no último informe mensal enviado à CVM.
Quando o patrimônio líquido é negativo, o indicex não calcula o P/VP e mostra "—" com o motivo, porque um múltiplo negativo nesse caso não tem leitura útil.
Exemplo
A Empresa Beta tem patrimônio líquido dos controladores de R$ 2,4 bilhões no último balanço e 400 milhões de ações fora da tesouraria.
- VPA: R$ 2,4 bilhões ÷ 400 milhões = R$ 6,00.
- Preço de fechamento: R$ 9,00.
- P/VP: R$ 9,00 ÷ R$ 6,00 = 1,5.
O mercado, portanto, paga R$ 1,50 por real de patrimônio contábil da Beta.
Agora um fundo imobiliário fictício, o FII Gama: a cota fechou a R$ 95,00 e o último informe mensal registra valor patrimonial de R$ 100,00 por cota. O P/VP é R$ 95,00 ÷ R$ 100,00 = 0,95.
Como interpretar
O P/VP ganha sentido quando lido junto com a rentabilidade do patrimônio. Uma empresa que gera retorno alto sobre o patrimônio (ROE elevado) tende a ser negociada bem acima de 1,0; uma que rende pouco tende a ficar perto ou abaixo disso. Olhar o P/VP sem olhar o ROE é ver só metade da equação.
Para comparar, o indicex usa a mediana do segmento (com pelo menos 3 empresas) e o histórico do próprio ativo. Setores intensivos em ativos físicos, como energia e bancos, costumam ter P/VP mais próximo de 1,0; empresas de software ou serviços, cujo principal ativo não aparece no balanço, frequentemente ficam muito acima.
Nos FIIs, o P/VP mostra a relação entre a cota na bolsa e a avaliação dos imóveis ou títulos da carteira, que depende de laudos e da marcação dos papéis.
Limitações e onde não se aplica
- Patrimônio negativo: sem leitura, por isso aparece como "—".
- Ativos intangíveis: marcas, softwares e base de clientes construídos internamente quase não entram no balanço, o que deixa o P/VP alto sem que isso diga muito.
- Recompras e dividendos elevados: reduzem o patrimônio e elevam o P/VP mesmo sem mudança no negócio.
- Ativos a valor histórico: imóveis e terrenos antigos registrados pelo custo podem valer muito mais (ou menos) do que o balanço mostra.
- FIIs: o valor patrimonial depende de laudos de avaliação, que podem ficar defasados em relação ao mercado imobiliário.
Erros comuns
- Tratar P/VP abaixo de 1,0 como sinal automático de desconto, sem verificar se os ativos ou a rentabilidade estão deteriorados.
- Comparar o P/VP de um banco com o de uma empresa de tecnologia.
- Esquecer de olhar o ROE junto, que explica boa parte do nível do múltiplo.
- Usar o patrimônio total, incluindo minoritários, em vez do patrimônio dos controladores.
- Interpretar o P/VP de FII como se fosse idêntico ao de ação, ignorando que o patrimônio do fundo vem de avaliações periódicas.
Texto: Equipe indicex · revisado em 18/10/2026